E se o mundo acabar amanhã?
Nossa, teria que resolver tanta coisa, hoje... Todas as pendências que fazem parte do meu cotidiano: o cartão de natal que (ainda) não enviei, a casa que (ainda) não limpei, a caminhada na praia que (ainda) não fiz, a bolinha que (ainda) não joguei com a minha cachorra, o apartamento que não comprei, os filhos que não tive! Fazer tudo, até o fim do mundo do dia de amanhã.
Não estou falando do apocalipse, não. Também não é nenhum insight com o longa "2012". É só uma pergunta, bem clichê. O que você teria que fazer até amanhã? O que você não resolveu, hoje? O que você deixou esperando, cozinhando na cabeça ou no coração? Eu tenho muita coisa, confesso. Tenho que me depilar, terminar uma faculdade e me resolver com o meu namorado mal-humorado. Isso só pra começar, porque também tenho umas várias-muitas-diversas idéias pra tirar da cuca e uns vários-muitos-diversos sonhos pra realizar. Mas, e aí? O que vai acontecer com tudo isso se o mundo acabar amanhã?
Todo dia é um enorme fim do mundo. Pode parecer deprê, mas a verdade é que morremos a cada dia que passa. Morremos por todas aquelas coisas que nossas mães já nos disseram: "Isso ainda vai te matar". E morremos também por todas as outras coisas: aquelas que não fazemos. Ok, também morremos só por estarmos vivos. E, diante de toda essa blasfêmia da vida, vivemos, sem pensar que o mundo pode acabar amanhã.
Mas, se o mundo acabar amanhã... quer saber? "Benditas coisas que eu não sei, os lugares onde não fui, os gostos que não provei, meus verdes ainda não maduros, os espaços que ainda procuro, os amores que nunca encontrei. Benditas coisas que não sejam benditas. A vida é curta, mas, enquanto dura, posso, durante um minuto ou mais, te beijar pra sempre. O amor não mente, não mente, jamais. E desconhece do relógio o velho futuro. O tempo escorre num piscar de olhos e dura muito além dos nossos sonhos mais puros. Bom é não saber o quanto a vida dura ou se estarei aqui na primavera futura. Posso brincar de eternidade agora, sem culpa nenhuma...".
E, na voz de Zélia Duncan, a resposta pro meu fim do mundo. Bendito. Porque terei vivido tudo o que pude, sem arrependimentos - ainda que não tenha enviado o cartão de natal, limpado a casa, caminhado na praia, jogado bolinha com a minha cachorra, comprado meu apartamento ou tido filhos. Vivendo de cara lavada e coração limpo, brincando de eternidade.
Pois bem, meu bem. Saia da cadeira, desse textinho e vá viver. Ah!, e não se esqueça de enviar o cartão de natal.
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