domingo, 19 de março de 2023

Os românticos sofrem.

Nessa semana, escutei que eu não era “romântica”. Que impropério!

Eu sou romântica a la Vinicius de Moraes. Choro ouvindo Roberto Carlos. Fico estupidamente derretida com cenas clichês de romances. E de comédias românticas. Sou carinhosa daquelas que ficam tocando, beijando e falando “te amo” por toda a casa. Que adora fazer pequenos atos de demonstração de amor e paixão no dia a dia. Que gosta de dar colo, fazer massagem, cafuné e de levar o café na cama. Que gosta de dançar juntinho, no meio da sala. Que gosta de apertar o bumbum toda vez que passa pela pessoa e chamar de “gostoso”. Que gosta de fazer uma comidinha e ficar conversando por horas e horas, fazendo carinho. Que gosta de mãos dadas. Que gosta de cinema e caminhadas descompromissadas. Viciada em pôr do sol. Em beijos de cinema ao pôr do sol...

Inferno. Eu sou romântica pra caralho.

Triplex

Não ter um canal de comunicação com muita clareza e intimidade, sem medos bobos e julgamentos, é algo que me deixa muito insegura. Eu tenho uma mania horrorosa em pensar nas várias possibilidades do que se quis dizer com o que se disse. Preciso de clareza, obviedade. Nunca tive paciência para indiretas, entrelinhas, subentendimentos. Hoje, nem paciência, nem tempo.

E aí, vem outra questão: não se abre para o diálogo porque a outra pessoa é desse jeito, não está acostumada, tem seus problemas em confiar, seu passado... ou eu não estou fazendo a minha parte em dar segurança o suficiente? Percebam: eu penso demais, mas porque me importo.

Me é muito valioso ter intimidade, saber onde se pisa, não ser nada além do que se é, com sinceridade e transparência e gostar disso. Relações humanas já são tão complexas... Por que não apenas “ser”? Tem que ser gostoso. Tem que ser “casa”.

Há uns dois meses, eu tive uma conversa muito maravilhosa com um amigo de longa data. Nós não temos muito em comum na educação, nos lugares pelos quais crescemos e vivemos e sequer convivemos. Mas somos muito iguais nessa coisa do “apaixonar-se”. Os dois com mania de relacionamento sério-e-longo-e-para-toda-a-vida. Dois amantes das companhias leais, dois entusiastas que topam tudo, dois velhos-jovens. Dois apaixonados por quem carregam ao lado. Conforme ele me conta coisas da vida, eu só vou pensando: “não acredito que seja tão igual” ou “é assim que é me ouvir?”, porque é tudo tão exato que chega a assustar.

Pois bem. Conversamos sobre como, mais do que precisamos receber, nós precisamos dar. Dengo, beijinhos, toques, abraços, sorrisos e a tal coisa de se fazer “casa” do outro. Eu, gata escaldada, comentei sobre meu medo em “perder meu tempo” fazendo essas coisas, porque me são muito íntimas e só ofereço quando sinto segurança em poder me entregar, sabendo qual que é a do outro e que não serei vista como “emocionada”. A resposta dele? “É, Dona Carla, está perdendo a oportunidade de viver muita coisa boa, então!”. Olhem a audácia desse querido.

Eu dei uma deliciosa gargalhada e o xinguei, carinhosamente. Ele guarda toda razão. Racionalizo demais o que, talvez, eu tenha que deixar fluir. Independente dos medos, das dúvidas, da comunicação prejudicada.

Um pequeno triplex que tenho confrontado, ultimamente.

Confusa - escrito em 10/03/2023

Hoje, não sei sobre o quê escrever. Estou pensando muito, mas não de forma resoluta. Apenas um amaranhado de ideias e conexões que me parecem ora tão óbvias, ora tão distantes.

Tenho me sentido meio vazia. É como se estivesse faltando alguma coisa que desconheço. Ou conheço e evito enxergar. Talvez acredite que determinada coisa me faria bem, mas talvez também queira me proteger e não enxergar isso por não saber se vai dar certo. Não sei. É confuso.

É a falta de clareza. Por que as coisas não são claras? Cria-se um abismo quando as coisas não são ditas. Abre-se espaço para se pensar o que quiser. E, talvez, eu nem deveria estar gastando energia pensando nisso. Acho que minha mente procura alguns lugares e se esconde em alguns pensamentos para se distrair. E, em um plot twist ansioso, se vê exausta por ter gastado neurônio com isso.

É isso. Não quero pensar mais.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Verborragia - escrito em 13/11/2022

Em silêncio, muito se diz.
Em silêncio, muito se permite pensar.
Se não houver a cumplicidade necessária, o silêncio parece errado. Parece falta de intimidade, desconexão, desinteresse, falta de confiança.
Não sei como os casais conseguem ficar em silêncio.
Talvez, eu fale demais.

Reflexões sobre uma história de amor qualquer - escrito em 30/09/2022

Como é árduo se deixar levar. Não sistematizar. Não controlar. Apenas aceitar que certas coisas chegam. E outras se vão.
Quando esse movimento acontece no coração, chega acompanhado por borboletas, mas pode ir em lágrimas.
Histórias de amor sempre nos surpreendem. Se tudo termina bem, é uma doce surpresa ouvir que há esperança. Se termina mal, é um alento às nossas expectativas. Melhor logo tudo acabar do que os sonhos se estenderem.
Será?

Ar - escrito em 30/09/2022

Alguns sentimentos saem de nós. Outros, adormecem, silenciam, se intimidam.
Para quem tem pressa em viver, é sempre difícil lidar com esses silêncios do peito. Quando o coração não bate freneticamente, a cabeça pensa sem parar e não nos fala: berra.
Um coração apaixonado pode assustar seu portador e causar uma leve falta de ar, mas é ele que ajuda a oxigenar o cérebro, com suas batidas ansiosas e emocionadas. De repente, tudo faz sentido, só porque se respirou - e se respiraram.

Autoterapia - escrito em 14/08/2022

Procure por aquela carta de quinze anos atrás. Lembre-se de você.
Os sofrimentos, todos temos. Sei que, às vezes, você sente mais. São os seus pontos fracos, que doem latentes em ferida aberta. Mas se lembre de cicatrizá-los. As chagas não se fecham sozinhas. Com o tempo e sem cuidado, infeccionam. Precisam de tempo, mas de carinho, também, de afeto por si.
Distrações virão. Ajudam a seguir. Mas não lhes dê maior importância. Elas também passarão.
Inclusive, é sempre bom lembrar: tudo passa.

Fica - escrito em 14/08/2022

São 13 beijos diferentes. São 9 corpos diferentes. São 3 corpos que poderiam ficar. São 4 paixões que poderiam ficar. São 3 amores que poderiam ficar. Mas só eu fiquei.

Inconcluso - escrito em 14/08/2022

A vida nos leva a lugares que não imaginamos. Muda nossos sonhos, nossos prazeres, nossas vontades. Adia uma porção de coisas, antecipa outras. E outras, ainda, deixam de existir. E é aqui que dói a impermanência. Tanto do que se achava certo se vai. Perde-se propósito, perde-se entusiasmo. Ou, então, iniciada é a busca para conseguir o que se queria, a qualquer custo, mesmo que não saia como o planejado. É o desespero para retomar o controle. E, de repente, nos frustramos pela forma como escolhemos fazer acontecer. Ou não. Não sei.

Se paixões - escrito em 14/08/2022

Algumas paixões podem se tornar amores. Outras, são apenas paixões. Em seu estado mais puro, sem qualquer intenção de permanência. Como se o amor machucasse, não damos chance para a paixão mutar, acontecer.
E que ela permaneça paixão, pois - como o "se" que nos tormenta insiste em permanecer.

Palavras - escrito em 14/08/2022

Escrever é fuga. É desopilar um coração cheio de sentimentos. Às vezes, como uma forma de declaração a quem nunca saberá sobre essas palavras, neste papel. Mas é como se, por existirem, essas palavras alcançassem o outro coração, materializassem o que não se vê ou escuta. Encurtassem uma distância de afeto, só porque existem.
As palavras aqui escritas são a coragem envolta no medo dessas mesmas palavras nunca se tornarem som.

Devaneios do meu eu nada lírico - escrito em 05/11/2020

Reli o primeiro texto que escrevi, aqui, dizendo que morreria tranquila, sem arrependimentos.
Onze anos depois, dou três tapas na minha cara, porque a maturidade me trouxe arrependimentos, especialmente sobre tudo aquilo que não vivi. Sem contar que, aquela menina ingênua de 21 anos, que achava que poderia viver a sua intensidade, a sua chama, a todo o tempo e em todos os lugares, teve que, por muitas vezes, se fazer pequena para caber em alguns espaços. Já não brinca mais de eternidade - pelo contrário: tem pressa em viver.
O que me consola é que ela ainda está aqui e, diariamente, não me lembro dos arrependimentos dessa última década, mas trago aquela garota com toda a impetuosidade possível, até nos dias mais monótonos. Continuo com a cara lavada, com a exceção dos cremes para 30+, claro. E o coração... ah, esse tem uns remendos, umas partes faltantes e já não bate, espanca.
Ainda não colhi muitos dos "meus verdes ainda não maduros". Outros, colhi e os replantei. Ainda outros tantos, sequer brotaram. Os "sonhos de vida" já não são tão alegóricos, muitos se tornaram meras vontades. E essas vontades, Senhor!, são cada vez mais incontáveis.
Aprendi a não me levar tão a sério. Já fui muito dura comigo mesma. Ainda não identifico quando estou repetindo este padrão, mas a cabeça no travesseiro já é mais realista e paro de me chicotear. Chicotes, inclusive, só aceito a la "50 Tons". Aprendi a rir mais e a xingar mais - especialmente, este último, com toda certeza. Aprendi a ser mais honesta comigo, sobre a minha luz e a minha sombra. Aprendi a viver as dores e os doces sabores da vida, todos tão inevitáveis, efêmeros e pungentes, ao mesmo tempo. Por eles que meu coração passou a espancar.
Odeio ser saudosista, mas já sou. Ouvir música se tornou terapia para rir, chorar, ressuscitar os cadáveres de borboletas no estômago, cantar gritando e, claro, dan-çar. Escuto pagode dos anos 90 e lembro como sofria por amor aos 8 anos de idade, pela paixão pelo coleguinha de classe. O pior é o susto que sempre tomo quando ainda reconheço aquela criança nesta tiazinha que vos fala. E caio na gargalhada quando isso acontece.
Ainda sou 0,008 ou 80 zilhões. Já aprendi que o caminho do meio será a minha busca por toda a vida, ainda que eu tenha medo de encontrá-lo e mudar minha essência. Mas aprendi a ser prática. Não quero mais perder tempo com nada que não me some. Já não tenho paciência para entrelinhas. Aliás, a paciência acabou lá pelos 25. Acho que antes, até.
Renato me faz imenso sentido, mais do que nunca, dizendo sobre as chances desperdiçadas quando se quer provar para todo mundo que não precisa provar nada para ninguém. E ainda choro quando ouço "Andrea Doria", igualzinho como aquela garota de 21 chorava. Esta música me é um prelúdio e um epílogo, ao mesmo tempo.
Analisando aquele fim de mundo pessoal, sabe o que ficou? Eu, pura e simplesmente. E sei que continuarei aqui, mesmo que a quantidade de creme anti-aging aumente. E, se o mundo acabar amanhã (o que já não parece tão distante como antes), minha praticidade diz que não farei nada. Certamente, também não terei feito a cama e deixarei outras dezenas de coisas inacabadas. Mas sei que terei amado até aqui. Isto, por hoje, basta. Vamos ver o que bastará aos 40.